Erosão das praias coloca férias à beira-mar dos europeus em risco

Os dados sobre o aquecimento global sugerem que muitos resorts à beira-mar na costa europeia do Atlântico e Mediterrâneo podem perder as suas praias devido à erosão das areias causada pelo aumento do nível do mar e da atividade humana.

beaches and village in Tenerife

Santa Cruz area in Tenerife, Canary Islands (photo: vil.sandi/Flickr – CC BY-ND 2.0 )

Este verão, devido ao distanciamento social e a outras medidas para evitar a propagação da COVID-19, o acesso às praias europeias está a ser mais difícil do que habitual. No entanto, até ao final do século, as férias à beira-mar poderão tornar-se ainda mais difíceis devido aos efeitos da alteração climática.

Os destinos populares à beira-mar na costa do Atlântico e Mediterrâneo poderão deixar de ser apelativos, à medida que o nível da água do mar aumenta, a par da temperatura. Isto apenas agravará os danos já causados pela humanidade e acelerará a erosão das costas arenosas.

Entre os muito populares destinos à beira-mar em risco estão San Teodoro na Sardenha, Lignano Sabbiadoro na Lagoa de Veneza, as ilhas gregas Lefkada e Lesbos no Arquipélago Jónico e no nordeste do mar Egeu, Saint-Tropez na Côte d’Azur, Santa Cruz em Tenerife (nas Ilhas Canárias) e as praias nas ilhas de São Jorge e São Miguel no Arquipélago dos Açores, pertencente a Portugal.

Analisámos os dados gerados pelo Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, discutidos anteriormente num artigo . Mais especificamente, calculámos o nível médio de erosão das praias em cada município dos cinco Estados-Membros com uma costa mais extensa e destinos mais turísticos à beira-mar na Europa, nomeadamente, França, Espanha, Grécia, Itália e Portugal.

Com base na nossa análise dos dados, verifica-se que dos 100 municípios à beira-mar em risco mais elevado, 60 situam-se em França (mais de dois terços nas regiões de Poitou-Charentes, Baixa Normandia e Aquitânia), 17 em Espanha (a maioria na Galícia, nas Ilhas Baleares e Canárias), 9 na Grécia ( dois terços na costa ocidental e Macedónia) e 4 em Portugal (metade no Arquipélago dos Açores). 

Portugal

Na costa portuguesa, a erosão irá muito provavelmente destruir completamente as praias de 69 municípios num total de 188, o que equivale a 37 por cento. Nos restantes 43 por cento, o desbaste irá de alguns centímetros a um nível crítico, enquanto 21 por cento verá alguma expansão. Na popular região de Faro, no sul, as praias irão retroceder em média 37 metros, sendo que em algumas áreas poderão desaparecer completamente. A nível regional, dos municípios da costa atlântica onde as praias irão possivelmente ser eliminadas encontram-se 3 de um total de 8 no Alentejo (38 por cento), 11 de 38 no Algarve (29 por cento), 7 de 25 na área metropolitana de Lisboa (28 por cento), 20 de 40 na zona centro (50 por cento), 18 de 35 no norte (51 por cento) e 10 de 32 nos Açores (31 por cento). Por outro lado, todos os municípios da Região Autónoma da Madeira irão verificar uma expansão costeira.

Metodologia

O estudo do Centro Comum de Investigação calcula a erosão de praias efetiva ao combinar três fatores: além do aumento do nível do mar devido à alteração climática, é considerada a intensificação de trovoadas e barreiras criadas pelo Homem ao longo da costa (edifícios, estradas, barragens), que reduziram drasticamente o fluxo natural de material para reabastecer as praias. O estudo também considera os resíduos provenientes de rios na sequência de atividade humana ou causas naturais, bem como o aumento do nível do solo, que em determinados casos pode compensar a erosão e levar à extensão da costa. Os investigadores monitorizaram uma variedade de previsões de acordo com o panorama climático (níveis baixos ou elevados de gás e gases de efeito estufa) e intervalos de tempo (2050 e 2100). Quanto maior for a quantidade de gases de efeito estufa emitidos pela economia global, maior será a sua contribuição para o aquecimento global e o aumento do nível do mar (através da expansão térmica e do degelo).

Os dados gerados pelos investigadores quantificam o nível de erosão das praias que iria ocorrer no interior, se não houvessem quaisquer barreiras físicas para travar o avanço do mar. Desta forma, algumas estimativas são excessivas. Para fornecer uma leitura mais realista dos dados, decidimos agrupar as praias em três categorias distintas, equivalentes ao mesmo número de índices de risco: erosão entre zero e o nível crítico (até 100 metros de erosão), possível eliminação da praia (mais de 100 metros de erosão), expansão costeira (mais de 0 metros). Tanto o gráfico como o mapa revelam o cenário climático mais pessimista, com o maior aumento do nível do mar, no período até 2100.

Traduções disponíveis
Quarta-Feira, 22 de Julho de 2020

Tradução de:

R. Azevedo | VoxEurop

Data source: Joint Research Centre, 2019

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